Um dia nasceu a filosofia na expressão espiritual da alma e adquiriu a forma poética do pensar e do sentir lusitano... Um blog situado onde tudo começa e onde tudo acaba: na filosofia, na literatura revelada no pensar e sentir da alma lusitana.
sexta-feira, 21 de março de 2014
segunda-feira, 3 de março de 2014
Contracapa
As letras espalhadas marcam o sinal,
Das folhas esquecidas ou arrancadas.
Da capa e contracapa gélidas,
Do que fingi não ler afinal
Dos murmúrios da tua entrada
Triunfal! Diga-se… naquele túnel
Tenebroso…cheio de pedras
Que te marcaram os pés
De tanta tinta largada ao acaso
Deste livro que quero só para mim.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
TU
TU amor nas palavras q’ alentavas,
Poderosas ao acordar d’ Aurora,
Da estrela polar onde mora,
O canto lírico que amavas.
E eu, meu amor que no peito,
Senti tuas palavras num gemido,
Num murmúrio onde me deleito,
Que nunca antes houvera sentido!
Que nas nossas mãos se beijassem…
E na eternidade amor, se banhassem.
Os nossos corpos mágicos e a nu
Porque longe de ti mora a saudade,
Porque a quimera…agora verdade,
Porque neste sentir amor…apenas TU!
Cristina Gonçalves D' Camões (2014)
Imagem: Filme "O Espírito do Amor"
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Além de...
Ofuscada por ele...
No silêncio da noite!
Nos crepúsculos que
enfatizam,
A sombra e o gemido.
Que naquela madrugada,
Invadiram o espaço
daquele tecido,
Que cobriu subtilmente os
corpos…
Daquele encontro que se
fez carne!
Cristina Gonçalves D' Camões (2013)
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Tornar-se Humano...
Ainda bem
que errar é humano
Ainda bem
que a imperfeição é humano
Ainda bem
que voltar atrás é humano
Ainda bem
que escrever para lá das linhas é humano
Ainda bem
que a arte é uma produção humana
Ainda bem
que a compaixão é humano
Ainda bem
que crescer é humano
Ainda bem
que Cristo se fez homem para ser humano
Ainda bem
quer ter medo é humano
Ainda bem
que a racionalidade e consciência são humanos
Ainda bem
que a desilusão é humano
Ainda bem
que arriscar é humano
Ainda bem
que cair é humano
Ainda bem
que tropeçar é humano
Ainda bem
que não saber é humano
Ainda bem
que a consciência de pensar é humano
domingo, 5 de janeiro de 2014
Palavras ao vento
“E de
repente ali estava eu, arrepiada, trémula de emoção pelas palavras que ficaram
por dizer e que talvez tenham morrido sem nunca ter visto a luz da aurora.
Leva-me (pensei)…leva-me contigo deste marasmo, desta vida sem sal.
Em vão,
afinal os pensamentos ainda não fazem eco nas outras mentes e ser-lhe-ia
impossível adivinhar o meu desejo.
Em vão,
afinal é tão difícil decifrar uma alma atordoada, esgotada pela amargura da
vida (não vida… pensei novamente).
Os meus olhos
ficaram imóveis vendo o seu desaparecimento no horizonte, deixei-me cair de
joelhos no chão frio daquela calçada que eu conhecia tão bem. Sinto-me completamente
molhada e rodando o corpo subitamente levanto-me assustada, agarro os lençóis
com força insistindo em não acreditar que tudo foi um sonho. Subitamente ele
levanta-se agarra-me e diz-me ao ouvido: “estou aqui, está tudo bem, tiveste um
pesadelo”.
Nesse
momento senti-me novamente em casa e deixei-me cair para trás e fui envolvida
pelo seu abraço e voltei a adormecer…”
In: "Palavras ao vento"
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Desalinho político-espirito-social
Ser louco é isso mesmo, um
desalinho da linha que toda a gente nos ensina a seguir religiosamente, sem
falhar. Aprendemos desde cedo que as regras são para cumprir sem questionar,
mas esquecemos que essas regras muitas vezes foram criadas por pessoas que
entendem muito pouco da vida e que possivelmente entendem menos de regras do
que nós.
Andar desalinhado ou sentir-se à
margem do mundo actual infelizmente faz parte de uma grande maioria.
Infelizmente porque é muito difícil viver deste modo, pois afasta as pessoas do
dito “normal”, “aceitável” ou “previsto”. Ao longo dos tempos o humano foi
sendo limitado socialmente pelas instituições que através de uma lavagem de
mentes controlam as opiniões, as modas, os modos, os pensamentos, etc. A igreja
desempenhou muito bem esse papel durante séculos, crucificando, queimando,
limpando, todos aqueles que ousaram usar o seu pensamento crítico. O humano foi
domesticado através do medo: do pecado, do julgamento final, do que há-de vir,
mas nunca virá. Com o desenvolvimento económico a máquina controladora passou a
ser o poder económico dos países industrializados. Agora criam-se doenças em
laboratório, inventam-se motivos para começar uma guerra, colam-se rótulos de
“crónico” a perturbações do foro psicológico para as quais existe tratamento,
mas que os lóbis querem que sejam encaradas como doenças fatais e para toda a
vida. Estou certa que do mesmo modo que agora achamos escandaloso a “lobotomia”
como tratamento para uma doença do foro psicológico (passado meio século),
daqui a algumas décadas vamos saber que é escandaloso o tratamento que se tem
dado a pessoas perfeitamente equilibradas, mas que acabam num hospital
psiquiátrico completamente domesticáveis e animalizadas com o olhar perdido no
horizonte e sem expressão emocional.
Num mundo assim é melhor NÃO SER!
Não ser alinhado na norma, não
adorar a igreja, mas sim o universo e a natureza, não subestimar a inteligência
de quem sabe pensar. Não crer em tudo o que advém do catolicismo apostólico
romano como uma lei, que condena a protecção contra doenças sexualmente
transmissíveis, que reduz a relação sexual ao acto de procriar, de julgar a
diferença de muitos, sem causa aparente.
Vivemos uma condição política de
vazio, tal qual um horizonte sem sentido, a Europa actual está solidificada nos
escombros de um conjunto de países que brincam à moeda única e fingem ter
raízes nacionalistas e cultura própria. O caso adquire contornos mais graves
quando falamos especificamente de Portugal: país do saudosismo, que cada vez
mais se afasta da missão genuinamente nacional da descoberta de um caminho
espiritual e do “modo de ser português”.
Cristina Gonçalves D' Camões (2013)
Cristina Gonçalves D' Camões (2013)
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