sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Além de...


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ofuscada por ele...

No silêncio da noite!

Nos crepúsculos que enfatizam,

A sombra e o gemido.

Que naquela madrugada,

Invadiram o espaço daquele tecido,

Que cobriu subtilmente os corpos…

Daquele encontro que se fez carne!



Cristina Gonçalves D' Camões (2013)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Tornar-se Humano...


Ainda bem que errar é humano

Ainda bem que a imperfeição é humano

Ainda bem que voltar atrás é humano

Ainda bem que escrever para lá das linhas é humano

Ainda bem que a arte é uma produção humana

Ainda bem que a compaixão é humano

Ainda bem que crescer é humano

Ainda bem que Cristo se fez homem para ser humano

Ainda bem quer ter medo é humano

Ainda bem que a racionalidade e consciência são humanos

Ainda bem que a desilusão é humano

Ainda bem que arriscar é humano

Ainda bem que cair é humano

Ainda bem que tropeçar é humano

Ainda bem que não saber é humano

Ainda bem que a consciência de pensar é humano

 

 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Palavras ao vento



“E de repente ali estava eu, arrepiada, trémula de emoção pelas palavras que ficaram por dizer e que talvez tenham morrido sem nunca ter visto a luz da aurora. Leva-me (pensei)…leva-me contigo deste marasmo, desta vida sem sal.
Em vão, afinal os pensamentos ainda não fazem eco nas outras mentes e ser-lhe-ia impossível adivinhar o meu desejo.
Em vão, afinal é tão difícil decifrar uma alma atordoada, esgotada pela amargura da vida (não vida… pensei novamente).
Os meus olhos ficaram imóveis vendo o seu desaparecimento no horizonte, deixei-me cair de joelhos no chão frio daquela calçada que eu conhecia tão bem. Sinto-me completamente molhada e rodando o corpo subitamente levanto-me assustada, agarro os lençóis com força insistindo em não acreditar que tudo foi um sonho. Subitamente ele levanta-se agarra-me e diz-me ao ouvido: “estou aqui, está tudo bem, tiveste um pesadelo”.

Nesse momento senti-me novamente em casa e deixei-me cair para trás e fui envolvida pelo seu abraço e voltei a adormecer…”


In: "Palavras ao vento"

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Desalinho político-espirito-social

Andar desalinhado às vezes é necessário para conseguir entender o seu contrário.
Ser louco é isso mesmo, um desalinho da linha que toda a gente nos ensina a seguir religiosamente, sem falhar. Aprendemos desde cedo que as regras são para cumprir sem questionar, mas esquecemos que essas regras muitas vezes foram criadas por pessoas que entendem muito pouco da vida e que possivelmente entendem menos de regras do que nós.
Andar desalinhado ou sentir-se à margem do mundo actual infelizmente faz parte de uma grande maioria. Infelizmente porque é muito difícil viver deste modo, pois afasta as pessoas do dito “normal”, “aceitável” ou “previsto”. Ao longo dos tempos o humano foi sendo limitado socialmente pelas instituições que através de uma lavagem de mentes controlam as opiniões, as modas, os modos, os pensamentos, etc. A igreja desempenhou muito bem esse papel durante séculos, crucificando, queimando, limpando, todos aqueles que ousaram usar o seu pensamento crítico. O humano foi domesticado através do medo: do pecado, do julgamento final, do que há-de vir, mas nunca virá. Com o desenvolvimento económico a máquina controladora passou a ser o poder económico dos países industrializados. Agora criam-se doenças em laboratório, inventam-se motivos para começar uma guerra, colam-se rótulos de “crónico” a perturbações do foro psicológico para as quais existe tratamento, mas que os lóbis querem que sejam encaradas como doenças fatais e para toda a vida. Estou certa que do mesmo modo que agora achamos escandaloso a “lobotomia” como tratamento para uma doença do foro psicológico (passado meio século), daqui a algumas décadas vamos saber que é escandaloso o tratamento que se tem dado a pessoas perfeitamente equilibradas, mas que acabam num hospital psiquiátrico completamente domesticáveis e animalizadas com o olhar perdido no horizonte e sem expressão emocional.
Num mundo assim é melhor NÃO SER!
Não ser alinhado na norma, não adorar a igreja, mas sim o universo e a natureza, não subestimar a inteligência de quem sabe pensar. Não crer em tudo o que advém do catolicismo apostólico romano como uma lei, que condena a protecção contra doenças sexualmente transmissíveis, que reduz a relação sexual ao acto de procriar, de julgar a diferença de muitos, sem causa aparente.

Vivemos uma condição política de vazio, tal qual um horizonte sem sentido, a Europa actual está solidificada nos escombros de um conjunto de países que brincam à moeda única e fingem ter raízes nacionalistas e cultura própria. O caso adquire contornos mais graves quando falamos especificamente de Portugal: país do saudosismo, que cada vez mais se afasta da missão genuinamente nacional da descoberta de um caminho espiritual e do “modo de ser português”. 

Cristina Gonçalves D' Camões (2013)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

(In)Verdade












Primórdios do caminho do amor..
Encontro dos trilhos do (Des)amor
Verdade incontestável a saber
Da mentira para esquecer

Quem mente deveras sente?
D'Alma tão claramente
Aquilo que não te quis contar
Aos ouvidos para te falar

Que quem ama  meu amor
Fica sem alma nem esplendor
Esdrúxulas as palavras então
Funestamente... mentirão!



Cristina Gonçalves D' Camões (2013)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A Menina Panteísta do Ser

O amor tem o poder de transformar ou destruir.

Tem o poder de nos alterar, de nos fazer pensar, sentir e agir de maneira diferente da que estamos habituados. Mas porquê?


Aquela menina deusa da natureza, das corridas pelo milho, dos grilos apanhados e soltos ao fim da tarde ( porque ninguém gosta de estar preso numa gaiola minúscula).
Andava ela pelo campo, tal qual justiceira da defesa dos animais, dos lagartos que subiam os muros, dos pássaros que por vezes caíam dos ninhos e que ela arriscava coloca-los junto da mãe, mesmo esfarrapando os joelhos quando descia das árvores.
Aquela menina encontra-se na natureza, era ali a sua casa, no meio das plantas, no monte, nos campos. Conversava com elas e todas a conheciam, veneravam-na quando ela passava sorrateiramente, para não assustar os pássaros e os gatos que se estendiam ao sol naquelas manhãs de primavera.
Aquela menina só queria ser livre de pensamento, só queria encontrar-se, só queria que o mundo fosse assim para sempre: perfeito!

Todos os dias eram dias de amoras, de uvas apanhadas sem ninguém ver, dos muros cavalgados sem parar, dos mistérios das cabanas largadas no meio do nada e que ela aproveitava para imaginar ser dona do mundo.


Nem ela sabia que a sua política era panteísta do ser, na imensidão da natureza e de Deus, perfeito, singelo, simples e profundo. Nada do que aprendia na escola e na igreja dos dogmas lhe fazia sentido. Esse Deus...da igreja ela não queria para companhia, o chato, o mau, o que elegia o pecado, o que julgava as pessoas, o que denunciava os meninos que roubavam as uvas para comer, o que deixava crianças morrerem de fome, o que deixava existir a injustiça no mundo, o que não existia quando os meninos não tinham livros na escola. Não! Ela não conseguia gostar de um Deus que só existia para alguns. Foi então que descobriu que Deus é e está na natureza, nos animais e dentro de cada um dos seres que compõem o mundo real e imaginário. Ela adorava cantar os sentimentos, cantar as plantas, cantar os trilhos abertos de tanto passar, de cantar os seus amigos animais que a entendiam, que a faziam sentir-se amada.  Ela escrevia, sentia o mundo tal como ele era, verdadeiro? A verdade do sentir era a  sua linguagem e nunca a deixara ficar mal, pois desde muito cedo descobriu que a essência das coisas está no sentir, na poesia, nas palavras, na música e no pensamento. 


Cristina Gonçalves D' Camões (2013)

domingo, 22 de setembro de 2013

Sincronicidade


Sou o espelho que refletes em mim.

A madrugada que te viu nascer

Naquelas pedras de jasmim

Onde sentamos sem querer

 

Encontro-me no crepúsculo

Do farol daquela praia

Escondida nas dunas silvestres

Não escolhi esta madrugada

 Inesperada...Deveras sentida

Em ti...Por ti meu Amor

Das gélidas noites outrora

Agora fortes e sentidas

 

 Cristina Gonçalves D' Camões