terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mais Triste do que Estar Triste



Mais triste do que estar triste
É sentir que não se sente
Estar num marasmo

Mais triste do que estar triste
É a miséria de não querer
Assumir o que se sente

Mais triste do que estar triste
É a ignorância de si mesmo
Numa ilusão constante

Mais triste do que estar triste
É ser moribundo duma sociedade
Escondida nos dogmas

Eu cá:

Prefiro Mil vezes estar Triste
Prefiro Mil vezes Viver
Prefiro Mil vezes Milhões Sentir

e não me arrepender de ser fiel a mim mesma!

Cristina Gonçalves D' Camões (2012)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Silêncio














Encontro-me
Despida de mim e de todas as vestes.
Tendo-me outrora separado da essência,
D’ amargura das noites gélidas.
Aquelas que testemunham o silencio,
De Ti, da lua…
Do olhar teu que me desnuda.
Vem meu amor!
No teu rosto eu habito,
Nos jardins do teu silêncio
Que também é meu.
Encontro-me em Ti Meu Amor.


Cristina Gonçalves D' Camões (2012)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

NÃO-SER

Encontrar o sentido da vida é uma tarefa inútil! Vã! Descontínua…
“O sentido da vida é a própria vida” (Natália Correia)
Na necessidade da existência Divina, encontro-me numa encruzilhada que me leva a vários caminhos ou a nenhum. “Não jurarei que qualquer Deus exista. Só sei que é grosseiro viver sem Deuses” (Natália Correia)
Crer na veracidade da vida é uma tarefa incompreensível e inatingível aos comuns mortais. Crer nas fadas, nos duendes seria uma fuga à realidade, seria uma tentativa falhada de chegar à fantasia que nos fizesse perceber a pobreza humana.
Os duelos existem apenas para elevar os egos dos fracos, dos que se escondem atrás das espadas numa tentativa de se elevarem a um nível que só existe nas suas mentes, nas suas vidas.
A maior parte dos duelos reduzem-se a uma tentativa de monopolização do poder… sobre os outros, as organizações, os países, o mundo. Para quê?
De nada serviram os séculos de conhecimento, de pensamento filosófico, de poesia, de música, de arte…
Para quê?
Tantas questões lançadas ao vento, que as leva sem destino. A única forma possível de chegarmos a nós é através do encontro com a natureza, os rios, as árvores, a vida.
A vida que nos dá vida. A vida que nos tira tudo e nos dá o NADA.
Não há melhor sensação do que o vazio, do nada. O vazio do nada tão temido leva-nos até ao fundo, torna-nos um quadro sem pintura, uma escultura sem rosto ou um livro sem palavras.

Podemos (re)escrever, (re)inventar, (re)programar, (re)viver ou mesmo (re)nascer de novo.
Começamos por um ponto e a dada altura já temos um conjunto de letras, palavras, frases, folhas e por aí fora.
(Re)Começar do nada é aproximarmo-nos da essência, da origem. Só esta sensação nos consegue levar ao sentimento dialéctico do NÃO-SER. Da ausência de existir, da negação do já atingido ficticiamente.
A verdade esconde-se algures no infinito do quadro sem pintura, da escultura sem rosto e do livro sem palavras.
O VAZIO (ao contrário do que a maioria pensa) pode assim, ser o início de um crescimento que poderá levar a uma elevação espiritual. 
Demagogias à parte e com humildade sou levada a pensar que só conseguimos existir no oposto de nós. Isto é. O que sabemos só pode existir no seu contrário. Encontrarmo-nos no vazio é ausentarmo-nos de tudo o que já existiu em nós. Escrever um livro sem palavras é permitir a criação de algo novo que se opõe ao já conhecido.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Creio - Ana Moura


Creio nos anjos
que andam pelo mundo
Creio na deusa
com olhos de diamante
Creio em amores lunares
com piano ao fundo,
Creio nas lendas,
nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho
que falta mais fecundo              
De harmonizar
as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno
num segundo,
Creio num céu futuro
que houve dantes,
Creio nos deuses
de um astral mais puro,
Na flor humilde
que se encosta no muro
Creio na carne
que enfeitiça o além
Creio no incrível,
nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo
pelas rosas,
Creio que o amor que tem asas
de ouro.
Amén
 ( Natalia Correia/ Jorge Fernando )

domingo, 8 de abril de 2012

Candura d’ olhar









Os olhos d’uma criança nunca mentem
Sem disfarce…sem fingir
O que não sente
Atada ao impulso animal
De descobrir mundos
Decifrar nomes…sentimentos
De querer abraçar a vida tão garota
Sem ter a real ideia do que a espera
D’uma sociedade corrupta
Mentirosa, rigorosamente falsa
Mas a criança de tantas ilusões
Caminha sem esperar
Encontrar o desamor, o desencanto
Rapidamente num ato de sobrevivência
Cresce…cria…e volta a viver
Mas um dia descobre
Que apenas a morte lhe dará a vida
(E)ternamente…verdadeira!


Cristina Gonçalves D' Camões (2012)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Progne


Louca e estúpida
Andorinha sem rumo
Esgotas-te nesses caminhos
Que percorres sem nada ver
Vem comigo procurar-te
Imagina que o canto
Dos teus iguais
Preenche ingenuamente
Os trilhos onde navegaram
Encontra-te
Percorre-te
Busca lá a lucidez
Separa os iguais
Afasta a invídia
Das incrédulas que te observam
Ficam cegas de tanto
…E de nada…
Retidas e estagnadas
Coitadas?
Andorinha…anda vem
Outras paragens se avistarão
No Deus eterno poético
Encontrarás refúgio
Porque ele habita em ti
Nas tuas entranhas
Para lá do Marão
Eu sei que consegues
Vem…
Encontra-te
Celebra-te
Idolatre
Aquilo que eras…Progne?
Já não te sentes assim
Agora bates as asas e
Tornas-te eterna
E acima das demais…

Coitadas…invídia(s)!

Cristina Gonçalves D' Camões (2011)


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ser Poeta




O poeta tem medo de si…
Encurralado nas suas
Entranhas estranhas…
E quebradiças que lhe esgotam a alma,
O espírito,
A tranquilidade
…de conseguir ser alguma coisa
E não ser nada.
Num desatino feroz!

De tanto gritar
Adormece a voz
Sem se querer perder
Esgotar, envolver
Porque dentro si mora a utopia,
Que é sentida como uma ferida
Desse drama que lhe dá vida

O poeta teme a chama
Da Alma inquieta
Que por tanto querer
Encontrar-se
Perde-se sem rumo no sofrer!

Ser poeta é não-ser?



Cristina Gonçalves D' Camões (2011)